O Ministério da Saúde realizou, na tarde desta quinta-feira (23), uma visita técnica no Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp), em Cuiabá, para verificar a situação estrutural do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Mato Grosso. A ação ocorre após denúncias de desmonte na rede de atendimento pré-hospitalar no estado.
A equipe técnica, ligada à coordenação nacional do Samu, chegou a Cuiabá e seguiu diretamente para o Ciosp, onde foram avaliadas as condições de funcionamento do serviço, incluindo equipes, frota de veículos e estrutura operacional. Participaram da visita o coordenador-geral de Urgência do Ministério da Saúde, Felipe Reque, a técnica enfermeira da CGURG, Nicole Braz, e o coordenador-geral do Sistema Nacional de Auditoria, Justiniano Neto.
A visita ténica tem como objetivo a elaboração de um relatório técnico para apurar as denúncias apresentadas por entidades sindicais e verificar possíveis irregularidades na condução do serviço no estado.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, acompanhou a visita técnica representando o sindicato e participou do processo de esclarecimento das informações solicitadas pela equipe do Ministério da Saúde. Durante a visita, foram apresentados pontos já denunciados pelo sindicato e pela federação, especialmente relacionados à redução de equipes, condições de trabalho e risco de comprometimento do atendimento à população.
A situação reforça um cenário que o SISMA-MT já vinha alertando: a fragilização do Samu em Mato Grosso, com medidas que impactam diretamente a estrutura do serviço e colocam em risco a continuidade e a qualidade do atendimento de urgência e emergência.
O problema não é isolado e está ligado à falta de planejamento e à ausência de fortalecimento do sistema com servidores efetivos. Para o sindicato, a redução de equipes e as mudanças na organização do serviço, sem a devida estruturação, comprometem o funcionamento do Samu e ampliam os riscos para a população.
O SISMA-MT também reforça preocupação com declarações recentes do Governo do Estado indicando a possibilidade de substituição da atuação do Samu pelo Corpo de Bombeiros. Para a entidade, esse tipo de medida não resolve o problema e pode agravar ainda mais a desorganização do serviço, que exige equipes especializadas, treinamento específico e estrutura adequada.
São os servidores que sustentam o SUS e garantem o atendimento à população, mesmo diante de dificuldades. Quando há desvalorização, redução de equipes ou mudanças sem planejamento, o impacto é direto no tempo de resposta e na qualidade do socorro prestado.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, destacou a importância da presença do Ministério da Saúde no estado. “Essa visita é fundamental para mostrar a realidade do que está acontecendo. O sindicato já vinha denunciando essas situações. Estamos falando de vidas. O Samu precisa de estrutura, de servidores e de condições adequadas para funcionar. Não se pode desmontar um serviço essencial e achar que não haverá consequências”, afirmou.
Mesquita reforçou ainda que o posicionamento do sindicato é pela manutenção e fortalecimento do Samu com profissionais qualificados e valorizados. “O caminho é investir no SUS, chamar os concursados e garantir estabilidade no serviço. Não é a substituição ou improviso que resolve. É planejamento e respeito com quem está na linha de frente”, pontuou.
Há ainda a expectativa de que, na próxima semana, um diretor do ministério da Saúde venha a Mato Grosso para tratar do tema, diante da gravidade da situação e da repercussão das denúncias. O caso ganhou ainda mais atenção após declarações do governo estadual sobre possíveis mudanças no modelo de atendimento.
O SISMA-MT seguirá acompanhando o caso e cobrando providências dos órgãos responsáveis. Para o sindicato, é essencial que o serviço seja fortalecido, com transparência, planejamento e valorização dos profissionais, garantindo atendimento digno à população.
A saúde pública precisa de estrutura, concurso e valorização. Quando isso não acontece, quem sofre as consequências é, mais uma vez, a população que depende do SUS.