A declaração do novo secretário de Estado de Saúde de Mato Grosso, Juliano Melo, sobre a demissão de 56 profissionais do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) gerou forte repercussão e preocupação entre trabalhadores da saúde. Ao justificar os desligamentos, o gestor afirmou que os profissionais “nem são necessários” e que serão substituídos por bombeiros dentro de um modelo de reestruturação do serviço.
As demissões ocorreram após o encerramento de contratos e atingiram diretamente equipes formadas por enfermeiros, técnicos, condutores e outros profissionais que atuavam na linha de frente do atendimento pré-hospitalar. Segundo o secretário, o Estado não pretende repor esses trabalhadores, argumentando que não haverá prejuízo ao atendimento devido à integração com o Corpo de Bombeiros.
A fala, no entanto, contrasta com a realidade vivida pelos profissionais e com a própria estrutura do serviço, já que os trabalhadores desligados representavam parte significativa das equipes operacionais e atuavam diretamente no socorro à população em situações de urgência e emergência.
O caso reforça uma preocupação que o SISMA-MT já vinha denunciando: a falta de planejamento e a adoção de medidas que desconsideram a importância dos servidores da saúde na sustentação do sistema público. O problema não é isolado e evidencia uma política que, ao invés de fortalecer o SUS, fragiliza o atendimento e precariza as condições de trabalho.
Para o sindicato, a declaração do secretário é grave porque desmerece o trabalho de profissionais que, ao longo de anos, atuaram diretamente salvando vidas e garantindo o funcionamento do Samu em Mato Grosso. São servidores que estiveram na linha de frente, muitas vezes em condições adversas, e que agora são tratados como dispensáveis.
Além disso, a substituição de equipes experientes por outro modelo de atuação, sem a devida transição e planejamento, levanta dúvidas sobre a continuidade e a qualidade do atendimento. A retirada de profissionais qualificados impacta diretamente o tempo de resposta, a eficiência do serviço e a segurança da população.
O SISMA-MT reforça que a falta de servidores efetivos e a ausência de convocação de concursados continuam sendo um dos principais problemas da saúde pública no estado. Em vez de investir na estruturação do sistema e na valorização dos profissionais, a gestão opta por soluções que não enfrentam o problema na raiz.
São os servidores que sustentam o SUS. Mesmo diante de dificuldades, são eles que garantem que o atendimento aconteça todos os dias. Quando esses profissionais são desvalorizados ou substituídos sem critérios claros, quem sofre as consequências é a população que depende do serviço.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, criticou a condução da situação e alertou para os riscos. “Estamos falando de vidas. Não é aceitável tratar profissionais da saúde como se fossem descartáveis. O Samu é um serviço essencial, que depende de equipes qualificadas e valorizadas. Qualquer decisão que desorganize isso impacta diretamente a população”, afirmou.
O sindicato seguirá acompanhando o caso e cobrando explicações e medidas concretas por parte do Governo do Estado. Para o SISMA-MT, a saúde pública precisa de planejamento, concurso público e valorização dos servidores. Não é a substituição ou a desestruturação das equipes que resolve o problema.
A entidade reforça que decisões como essa têm impacto direto no atendimento e que, mais uma vez, quem paga o preço é a população.
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT