Uma médica gestante que atuava no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), em Cuiabá, foi demitida após denunciar condições precárias no alojamento utilizado pelas equipes. O desligamento foi realizado pela empresa terceirizada responsável pelo serviço, contratada para atuar na rede pública estadual.
De acordo com a denúncia, a profissional procurou a Controladoria Geral do Estado (CGE) para relatar problemas estruturais graves no local de descanso dos trabalhadores, além de irregularidades na organização do trabalho. Entre as situações apontadas estão infiltrações, goteiras e o desabamento de parte do forro de gesso sobre um dos leitos, o que quase atingiu uma profissional durante o repouso.
Os relatos também indicam jornadas exaustivas, com escalas que chegariam a até 24 horas consecutivas, desrespeitando intervalos mínimos e condições adequadas de descanso. Além disso, foram apontadas falhas no cumprimento de cláusulas contratuais, incluindo ausência de mobiliário adequado e estrutura incompatível com a atividade desempenhada.
Mesmo tendo sido formalizada de forma anônima, a identidade da denunciante teria sido descoberta, e a médica acabou sendo desligada pela empresa após a denúncia, o que levanta questionamentos sobre a proteção aos profissionais que relatam irregularidades no serviço público.
O caso reforça uma situação que o SISMA-MT já vinha denunciando: a precarização das condições de trabalho na saúde pública, especialmente em serviços geridos por empresas terceirizadas. O problema não é isolado e evidencia falhas estruturais que vão além de um caso específico.
A falta de condições adequadas de trabalho, somada à sobrecarga de jornadas e à instabilidade dos vínculos, demonstra que a terceirização não resolve os problemas da saúde pública. Pelo contrário, fragiliza os trabalhadores, dificulta a fiscalização e compromete a qualidade do atendimento prestado à população.
Além disso, o cenário reforça uma realidade recorrente: mesmo diante da necessidade de profissionais, o Estado segue adotando modelos precários de contratação, enquanto há demanda por estruturação do sistema e valorização do servidor efetivo. A ausência de planejamento impacta diretamente quem está na linha de frente e, principalmente, quem depende do atendimento.
São os servidores que sustentam o SUS, mesmo diante de condições adversas. No entanto, ambientes insalubres, jornadas excessivas e insegurança profissional colocam em risco não apenas os trabalhadores, mas toda a assistência prestada à população. Quando o profissional não tem condições dignas de trabalho, o atendimento também é comprometido.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, afirmou que a situação é grave e exige providências imediatas. “Estamos falando de vidas. Não é apenas uma questão administrativa, é uma questão social. O SUS precisa de servidores valorizados, estrutura e condições dignas de trabalho. Não podemos aceitar que profissionais sejam punidos por denunciar irregularidades”, destacou.
O sindicato seguirá acompanhando o caso e cobrando respostas dos órgãos responsáveis. Para o SISMA-MT, é fundamental avançar em soluções estruturais que garantam estabilidade, qualidade no serviço e respeito aos profissionais da saúde.
A entidade reforça que a saúde pública precisa de planejamento, concurso e valorização. Não é a terceirização que resolve o problema, e a população é a principal afetada quando o sistema falha.
Fonte e Foto: MidiaJur