O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) deu um prazo de 72 horas para que o Governo do Estado apresente explicações sobre possíveis demissões e indícios de desmonte em serviços essenciais da saúde pública. A medida foi tomada após denúncias relacionadas à redução de profissionais, especialmente no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
De acordo com as informações, ao menos 56 contratos de profissionais da saúde não devem ser renovados entre o fim de março e o início de abril, o que acendeu um alerta sobre o impacto direto dessa decisão no atendimento à população.
A investigação foi provocada diante do risco de comprometimento de serviços essenciais, já que a redução de equipes pode afetar o funcionamento de unidades e ampliar o tempo de resposta em atendimentos de urgência e emergência. A situação também levanta preocupação quanto à continuidade e qualidade da assistência prestada pelo SUS em Mato Grosso.
O caso se soma a outras denúncias recentes envolvendo falta de profissionais, sobrecarga de equipes e precarização das condições de trabalho em diversas unidades de saúde do estado. Para especialistas e entidades representativas, o cenário evidencia um problema estrutural que vem sendo agravado por decisões administrativas que reduzem o quadro de trabalhadores.
O Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT) já vinha alertando para esse cenário e reforça que a diminuição de profissionais em áreas essenciais representa um risco direto à população. O sindicato destaca que há candidatos aprovados em concurso público aguardando convocação, enquanto unidades enfrentam déficit de pessoal.
Para o SISMA, a situação reforça a necessidade urgente de recomposição do quadro de servidores efetivos e de políticas públicas que valorizem os trabalhadores da saúde. A entidade também mantém posicionamento contrário à terceirização e à precarização dos vínculos, apontando que essas medidas não resolvem o problema e ainda fragilizam o atendimento.
O presidente do SISMA-MT, Carlos Mesquita, reforça que o momento exige responsabilidade e compromisso com a população. “Não se pode falar em economia quando o preço é a vida das pessoas. A falta de profissionais impacta diretamente o atendimento. O que precisamos é de mais servidores, mais estrutura e valorização de quem está na linha de frente”, destacou.
Diante da cobrança do Ministério Público, a expectativa agora é que o governo apresente esclarecimentos e medidas concretas para garantir a continuidade dos serviços de saúde. Para o SISMA-MT, o caso deve servir como ponto de reflexão sobre a importância de fortalecer o SUS com servidores concursados, condições adequadas de trabalho e planejamento eficiente.
A entidade afirma que seguirá acompanhando os desdobramentos e atuando na defesa dos servidores e da população, cobrando soluções efetivas para evitar o enfraquecimento da saúde pública em Mato Grosso.