A Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) abriu oficialmente, na última segunda-feira (2), uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar suspeitas de corrupção na área da Saúde durante o governo de Mauro Mendes. A informação foi divulgada com exclusividade pelo PNB Online, a partir de apurações relacionadas à chamada Operação Espelho.
Consoante o material revelado, uma das conversas indica que um médico teria se tornado sócio de uma empresa vencedora de licitações após ter “operado a esposa do governador”, o que levantou suspeitas sobre possíveis relações indevidas entre agentes públicos e empresas contratadas pelo Estado. As informações foram publicadas inicialmente pelo jornalista Pablo Rodrigo, em reportagem citada pelo PNB Online.
O requerimento para abertura da CPI foi apresentado pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD) e alcançou as oito assinaturas necessárias na última sexta-feira (30). O documento foi lido, carimbado e recebido pelo primeiro-secretário da ALMT, Dr. João (MDB), e segue agora para publicação no Diário Oficial da Casa. A expectativa é que a formalização ocorra ainda nesta semana.
Wilson Santos afirmou que levou cerca de dois anos para reunir as assinaturas necessárias e destacou que a CPI terá caráter esclarecedor e pedagógico. Segundo ele, a investigação busca identificar falhas, corrigir erros e fortalecer os mecanismos de controle sobre a aplicação de recursos públicos. “A Operação Espelho investigou fraudes de centenas de milhões de reais dos cofres públicos. Será muito importante se, com a CPI, conseguirmos recuperar parte desses recursos”, declarou ao PNB Online.
Após a publicação oficial, caberá ao presidente da ALMT, Max Russi (PSB), solicitar que os blocos parlamentares indiquem os membros que irão compor a comissão. A tendência é que Wilson Santos assuma a presidência da CPI, enquanto nomes como Janaina Riva (MDB) e Dilmar Dal Bosco (União), líder do governo, também participem das indicações.
O autor do requerimento negou que a CPI tenha motivação eleitoral ou caráter oposicionista. Segundo ele, a investigação não se relaciona com eventuais pretensões políticas do secretário de Saúde. “Eu sou da base do governo. A CPI não é para perseguir ninguém. É um instrumento democrático para esclarecer fatos, apontar responsabilidades e melhorar a gestão pública”, afirmou.
A abertura da CPI da Saúde ocorre em meio a um contexto de sucessivas denúncias envolvendo contratos, terceirizações e uso de recursos públicos no setor. Para entidades sindicais e servidores da saúde, o avanço das investigações é fundamental para garantir transparência, responsabilização e respeito ao dinheiro público, especialmente em uma área tão sensível quanto a saúde da população mato-grossense.
Fonte: PNB Online, com informações da Polícia Civil, Polícia Federal e reportagens do Intercept.