O índice aprovado representa um ajuste acima do inicialmente proposto pelo governo, que previa apenas 4,26%, percentual equivalente à inflação de 2025. O acréscimo de 1,14 ponto percentual só foi possível após a pressão organizada dos servidores e a articulação de deputados estaduais, demonstrando que a mobilização segue sendo o principal instrumento de conquista da categoria.
Apesar disso, o resultado está longe de atender às reivindicações históricas do funcionalismo público. Os servidores acumulam perdas salariais referentes aos anos de 2018, 2019, 2020, 2021 e 2022, que somam 18,38%, passivo que segue sem qualquer proposta concreta de pagamento por parte do governo do Estado.
Ainda na noite desta quarta-feira, o governador sancionou a lei que concede a RGA de 5,4%, garantindo a incorporação do índice já na folha salarial de janeiro. O reajuste alcança servidores ativos, aposentados e pensionistas, com impacto orçamentário estimado em aproximadamente R$ 1,319 bilhão.
Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (SISMA-MT), Carlos Mesquita, o resultado só foi possível graças à presença massiva dos servidores na Assembleia. Ele destacou que a mobilização mostrou força, organização e disposição de luta da categoria, mas deixou claro que o índice aprovado não resolve o problema central, que é a defasagem salarial acumulada ao longo dos últimos anos.
Mesquita agradeceu especialmente aos servidores da saúde, ativos e aposentados, que estiveram na ALMT e ajudaram a pressionar os parlamentares. Segundo ele, ocupar o Parlamento é fundamental para lembrar aos deputados que são eles que votam projetos que impactam diretamente a vida dos trabalhadores e que a categoria seguirá atenta e cobrando posicionamento.
O presidente do SISMA reforçou que a luta não termina com a aprovação da RGA. O sindicato seguirá atuando junto ao movimento sindical unificado para exigir que o governo reconheça oficialmente a dívida de 18,38% e apresente uma solução concreta para o pagamento dos passivos. “Seguimos firmes, unidos e mobilizados. A valorização dos servidores públicos não é favor, é direito”, afirmou.