Demandas de assistência à saúde mental no SUS foram pauta de Audiência Pública proposta pelo deputado Lúdio Cabral

Representantes do Sindicato dos Servidores da Saúde de Mato Grosso (SISMA/MT) acompanharam a audiência pública ‘As Demandas de Assistência à Saúde Mental no SUS, no âmbito de Cuiabá e do Estado de Mato Grosso’, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).

O impacto da pandemia na saúde mental dos trabalhadores da saúde, as dificuldades das pessoas que sofrem com transtornos mentais em busca de tratamento digno à saúde e da Inclusão Social, a Importância da estruturação da Rede de Atenção Assistência Psicossocial (RAPS) para garantir assistência em saúde mental e contextualização histórica da luta antimanicomial pautaram o encontro.

O paciente da RAPS de Cuiabá que faz tratamento de transtorno e ansiedade generalizada, Antônio Pereira Ramos contou sobre as dificuldades que ele vem enfrentando nos últimos três anos. “São muitas dificuldades, os ambulatórios estão quase todos fechados. Eu ainda estou sendo assistido pelo CEM, mas tem muitas famílias sofrendo sem assistência nenhuma. Atualmente não tem dipirona nem medicamentos específicos. Estamos largados ao léu”, lamentou.

A estagiária de psicologia do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSI), Ana Paula Carnaiva, comentou que percebe um descaso por parte do Governo Federal e Estadual. Principalmente no que diz respeito ao número de profissionais. “Lidamos com crianças e adolescentes com transtornos mentais severos, são situações em que a pessoa precisa ser atendida olhando não só a doença, é preciso olhar o paciente e a família. É preciso criar vínculo com a criança e isso não é imposto, é uma relação construída. Um concurso público efetivo e sério com salário digno seria uma solução para a maioria das nossas dificuldades”, desabafou.

“A gente enfrenta muitas dificuldades, desafios e muitos conflitos de interesses. Então se não tivermos o apoio dentro do executivo junto ao legislativo e outras esferas se torna ainda mais penoso o avançar nas pautas da saúde mental. É um assunto que tem prioridade zero, algo que deve ser muito mais posta em questão, precisamos melhorar essa questão de vida do trabalhador da saúde. Isso é premente e fundamental para que o SUS aconteça e possa de fato proporcionar atendimento de qualidade”, disse a psicóloga existencial e psicanalista, Luciana Gomes.

 “Temos um SUS belíssimo no papel e na realidade vivemos coisas horripilantes”, comentou o diretor do SISMA e também psicólogo, Robson Alves.

“É uma pauta muito extensa e complexa que envolve não só os trabalhadores do Sistema de Atenção à Saúde e Sistema Mental, mas sim todos os poderes e diversos setores. Pensamos em reunir todas as questões que envolvem a saúde mental e lembrar que manicômio não é o caminho, isso nunca mais. Temos que reconhecer os direitos de cada ser humano”, disse o deputado estadual Lúdio Cabral que acrescentou dizendo que o próximo passo será propor uma câmara setorial temática.

“Saúde não se faz só com obras faraônicas de fachadas, sem gente e sem equipe. Estou vendo colegas que há anos batalham pela saúde mental, buscando a articulação e integração dos pontos de atenção. Não podemos ignorar a insalubridade que estamos vivenciando nos Capsi. Nós precisamos de mais espaços para discutir esse assunto, precisamos refletir sobre o que está acontecendo e sobre a falta de planejamento que estamos vivenciando. Nós estamos falando de vida, de anseio da população. Esperamos e lutamos para que a população tenha acesso a saúde de qualidade”, ressaltou a presidente do SISMA, Carmen Machado.

Também estavam presentes representantes do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso, RAPS de Cuiabá, RAPS de Várzea Grande, Familiares de usuários do Sistema Único de Saúde, Usuários da RAPS, Secretários Municipais de Saúde – COSEMS e representantes da Secretaria Estadual de Saúde- Área Técnica de Saúde Mental, além de estudantes e estagiários da área da saúde.

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