- SÁBADO, 08 DE AGOSTO DE 2020

HNT: Governo repassa atribuição de manejo de corpo a Samu; sindicato protesta

O Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma) irá notificar a Secretaria Estadual de Saúde (SES) contra a portaria 168 que determina que servidores do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) façam o manejo de corpos de pessoas que morreram com sintomas ou infectadas pela Covid-19 em Mato Grosso.


Atualmente, esse serviço é realizado pelo Serviço de Verificação de Óbito (SVO), que é de responsabilização do governo do Estado. Porém, devido ao aumento do número das mortes em decorrência do coronavírus, os servidores do Samu terão que auxiliar na tarefa.

De acordo com a portaria, os socorristas devem conduzir os corpos de pessoas que morreram em unidades de saúde (de qualquer modalidade), domicílios, casas de longa permanência e similares, durante o período da pandemia. O Samu não emitiu portaria interna, organizando o fluxo, pois a portaria reza que SVO, Samu e outros serviços poderão fazer o manejo do corpo. 

A determinação ainda aponta que o manejo deve acontecer até no máximo três horas após a morte e os servidores devem realizar alguns procedimentos como acondicionar os cadáveres e autorizar os serviços funerários, remover tubos, drenos e cateteres do corpo, descarte imediato de resíduos perfuro cortantes em recipientes rígidos, limpar as secreções nos orifícios orais e nasais com compressas, dentre outros.

De acordo com a presidente em exercício do Sisma, Ana Cláudia Machado, os servidores da Samu já estão sobrecarregados com as suas funções típicas. Ela afirma que o Estado foi omisso ao não estrututrar o SVO antes da chegada da pandemia em Mato Grosso.

“O Samu já está sobrecarregado em desempenhar a sua função que é de assistência e transporte sanitário. Atribuir mais essa função de manejo de corpos é sobrecarregar ainda mais. Tudo bem que nós estamos em uma época de pandemia, mas o governo não estruturou o SVO e agora, na pandemia, os serviços foram sobrecarregados. Todos os serviços da Saúde pública vêm sendo sucateados há muito tempo e em um momento de pandemia, qualquer situação que saía um pouco da normalidade gera colapso”, disse a sindicalista.

Ana alerta para a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) nesta pandemia. Ela afirma que se não fosse os serviços prestados pelos servidores a Saúde no Estado estava bem pior.

“Se não fosse o SUS, o que seria da população do Brasil nessa pandemia? Nós já teríamos entrada em um colapso muito maior. Mesmo com todas as dificuldades, o SUS vem buscando sobressair e atender a população. Só que como têm muitos serviços desestruturados há muito tempo, chega nesse momento (de pandemia) e entra em colapso. Ao invés do governo do Estado estruturar o SVO, ele sobrecarrega outra área que é o Samu. As equipes do Samu não param”, pontuou.

Por fim, a presidente afirma que os trabalhadores do Samu têm se desdobrado para atenderam a população. A servidora ainda explica que o afastamento dos funcionários em razão da Covid-19 tem piorado a situação.

“Existe todo um trabalho, todo mundo está sobrecarregado. Nós temos vários colegas que estão contaminados. As equipes já estavam trabalhando em número reduzido para não deixar de atender a população, nenhuma base do Samu parou. Os nossos servidores também ficam em risco. Nós chegamos a ficar com 23 socorristas afastados por suspeita ou por ter contraído a doença. É preciso que se olhe para o Samu”, concluiu.

Atualmente, Mato Grosso conta com 230 servidores do Samu divididos em 10 bases entre Cuiabá e Várzea Grande.

 

Outro lado

 

Por meio de nota, a SES informou que a portaria foi determinada em razão da pandemia do coronavírus.

 

A Secretaria Estadual de Saúde informa que o fluxo de atendimento descrito na Portaria N° 168 foi construído pela Coordenação do SAMU e Vigilância em Saúde do Estado, em razão da pandemia do coronavírus.

 

A adequação foi necessária em casos de óbitos em residências de pessoas confirmadas ou suspeitas de Covid-19, pois os profissionais compõem a primeira equipe de saúde que chega ao local do óbito. A fim de não deixar o corpo exposto à contaminação de terceiros, é imprescindível o seu isolamento, conforme orienta o Ministério da Saúde, no documento que trata sobre Manejo de Corpos no Contexto do Novo Coronavírus. Diante da necessidade, os profissionais farão o ensacamento do corpo até a chegada da equipe de remoção.

 

É importante ressaltar que, para realizar esses e outros atendimentos que envolvem casos de Covid-19, os profissionais do SAMU utilizam Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como macacão, capote, luva, óculos, máscaras N95, cirúrgica ou CS 12. Os itens garantem a segurança dos profissionais durante a realização do trabalho.

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