- TERÇA, 20 DE AGOSTO DE 2019

Fórum Sindical está dividido em relação à greve e educadores continuam isolados

Foto: Rodinei Crescêncio


s servidores da Educação, ao deflagrarem greve há 71 dias, dividiram o Fórum Sindical, que reúne 32 categorias de servidores do Poder Executivo do Estado e isso enfraqueceu a possibilidade de uma greve geral já no primeiro semestre da gestão Mauro Mendes. Diferente de 2016, quando os servidores da saúde deram início à greve geral que durou pouco mais de um mês, o fato dos educadores estarem em defesa de uma lei de carreira em especifico, a Lei Complementar 510/2013, não conseguiu mobilizar as demais categorias que três anos atrás cobravam em conjunto o pagamento de 11,28% da Revisão Geral Anual (RGA).

Na atual conjuntura, a aprovação da Lei 10.819 em janeiro deste ano por iniciativa do governador Mauro Mendes (DEM) e anuência da Assembleia por meio do Pacto por Mato Grosso, minou o terreno para uma greve geral dos servidores. O democrata conseguiu dificultar os argumentos para uma mobilização mais ampla. O pagamento do direito só será depois de 2021 se o Estado estiver fiscalmente equilibrado.

Enquanto o Fórum Sindical gasta tempo e dinheiro questionando a constitucionalidade da lei que restringe o pagamento da RGA no Supremo Tribunal Federal (STF), as tratativas no campo da negociação seguem engessadas, isso porque Mauro não está abrindo espaço para os servidores, e as categorias representadas pelo Fórum seguem questionando o Governo sobre seu discurso considerado contraditório.

O presidente do Sisma, sindicato dos servidores da saúde, e coordenador do Fórum Sindical, Oscarlino Alves, avalia que as declarações de Mauro são inconsistentes. “As declarações dele é gasolina na fogueira em brasa. Combinar uma coisa com o grupo de servidores, depois fazer um discurso implantando terror, tem toda a materialidade necessária para que sejamos duramente cobrados para um movimento paredista pelos servidores”, diz ao .

Dentre as declarações consideradas inflamadas do governador, está a entrevista concedida à Rádio Capital FM, na manhã de hoje (5), quando Mauro deixou claro que só vai pagar o 13º salário se conseguir bom êxito do empréstimo de US$ 250 milhões junto ao Banco Mundial.

“O que o governador comprometeu na última reunião com a categoria em abril foi em fazer um fundo, como ele disse que fazia na Prefeitura de Cuiabá, para pagar o 13º salário. Ele precisa mostrar agora a capacidade gestora que ele diz ter, em enfrentar essa situação em um Estado que se abdica de arrecadar R$ 6 bilhões com incentivos fiscais. Falou uma coisa em campanha, disse outra na reunião, e quando dá entrevista fala outra coisa”, criticou.

Sem descartar a possibilidade de uma greve geral ainda neste segundo semestre, Oscarlino aponta que a relação entre governo e servidores está “insuflada” e no limite. “Estamos dando tempo ao tempo. O governo não demonstrou vontade de resolver o problema da educação. Para nós já passou o primeiro semestre, os servidores estão cobrando um posicionamento. Estamos reunindo com o Fórum Sindical e estudando uma nova assembleia-geral unificada para saber os ânimos”.

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