- QUINTA, 13 DE DEZEMBRO DE 2018

GAZETA DIGITAL: Atendimentos são suspensos no Hospital Regional de Rondonópolis

Equipes médicas de diversos setores do Hospital Regional de Rondonópolis (212 km ao sul de Cuiabá) paralisaram na manhã desta segunda-feira (8) os atendimentos na unidade. Os profissionais informaram a suspensão em ofício encaminhado à diretoria da unidade, Conselho Regional de Medicina (CRM), Central de Regulação de Rondonópolis e Ministério Público do Estado (MPE) na última sexta-feira (5), apontando que não recebem há 120 dias. Secretaria de Estado de Saúde (SES) e a empresa Gerir, responsável pela administração do hospital, afirmaram que estão com os repasses em dia.  

Apesar da coordenadora do setor de Emergência do hospital, Andrea Barella, atuar em um dos setores que não paralisaram totalmente os atendimentos, ela explica que praticamente todas as áreas estão com os serviços suspensos. Na emergência são atendidos apenas casos em que há risco de morte. A parte de avaliações clínicas estão suspensas. “Quando há emergência, atendemos e encaminhamos para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Fora isso, é impossível manter o funcionamento pleno sem receber desde junho”.    


Barella conta que não é de hoje que alguns setores estão desfalcados devido à falta de pagamento dos salários. Para se ter uma ideia, o hospital ficou sem atender pacientes vasculares por um tempo e agora também sem cardiologista. Segundo ela, após ficar sem receber por dois meses, o médico vascular tentou acordo e não conseguiu, deixando a vaga em aberto entre março e julho.  


Em agosto um profissional da área veio do Rio de Janeiro e após trabalhar até a primeira semana de outubro sem receber, também deixou o cargo. “Se trata de completo descaso com todos os médicos, em especial com os que vêm de outro estado para trabalhar e não receber. É vergonhoso”.  


Outro ponto negativo em se tratando do médico vascular é que ele trabalhou mais de dois meses sem nenhum vínculo empregatício com a empresa responsável por gerir o hospital, o que não dava garantia nenhuma a ele.  


A área de cardiologia está na mesma situação, já que na unidade haviam dois profissionais, sendo um concursado, que está de licença prêmio, e outro contratado. O médico contratado estava desde junho deste ano sem receber os honorários e optou por aderir à suspensão de atendimentos. “Diante dos atrasos de pagamento, nenhum outro médico quer assumir o cargo”, frisou a coordenadora do setor de Emergência do hospital.  


Agravante  


A médica intensivista, Daniele Marques, chefe da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), destaca que o setor que coordena faz parte dos 30% que não pode parar os atendimentos, por se tratar de uma área em que se lida com a vida de inúmeros pacientes. Em compensação, quatro segmentos cirúrgicos distintos e 13 áreas estão com os procedimentos eletivos suspensos.  


Toda a parte do ambulatório, retornos médicos, principalmente em se tratando de cirurgias eletivas e ortopédicas, estão suspensos. No ofício assinado por 16 médicos de diferentes especialidades, os profissionais afirmam que muitas equipes estão sem contratos ou aditivos, implicando a ausência de respaldo jurídico e financeiro para os serviços prestados. Os médicos destacam que serão atendidos apenas casos de emergências, uma vez que são tidas como esgotadas todas as possibilidades relativas às formulações dos contratos e consequentemente os pagamentos de honorários.   


Outro Lado     


A Secretaria Estadual de Saúde afirmou que os pagamentos destinados ao Hospital Regional de Rondonópolis estão em dia. A pasta enfatiza que tem até o dia 15 deste mês para realizar os próximos repasses para a empresa Gerir, responsável por administrar a unidade.   


Por meio da assessoria de imprensa, a diretoria do hospital informou que o instituto Gerir paga os colaboradores imediatamente após receber o repasse da SES. A empresa diz que recebeu parte do repasse, referente a agosto, que será direcionado ao pagamento dos médicos. Sobre a informação de que os profissionais não recebem há mais de 120 dias, não houve resposta. 

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