- TERÇA, 16 DE OUTUBRO DE 2018

OLHAR DIRETO: Mato Grosso chega aos 270 anos amargando velhos problemas na saúde pública

Apontado como o maior problema vivenciado atualmente no estado por pesquisa realizada pelo instituto Ibope em dezembro do ano passado, a saúde não chega nada bem neste aniversário de 270 anos de Mato Grosso, comemorado na última quarta-feira (9). A estatística coincide com o posicionamento e constatação do Conselho Estadual de Saúde (CES/MT), que é vinculado a secretaria de Saúde do Estado.


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Conforme o conselheiro Orlando Francisco, os quase três anos e meio da gestão Pedro Taques (PSDB) tiveram problemas idênticos e até piores do que o da gestão Silval Barbosa, por ter sido pautada com programas classificados como "ineficientes", como a Caravana da Transformação e não ter nenhuma política pública de fato em relação ao setor.


“A nossa avaliação (da gestão Taques) é bastante negativa. Não há uma política pública de saúde neste governo. O que há são os programas, exemplo dessas caravanas que todo dia é anunciada, e que na realidade ela não tem nenhuma relevância para a saúde do estado”, disse o Conselheiro ao Olhar Direto.


Ainda de acordo com o membro do conselho, a gestão da saúde foi confusa e não funcionou por vários motivos, dentre eles a forma como são administrados os recursos, que são depositados na conta única, dificultando o acompanhamento feito pela própria pasta.


“Na prática este recurso está sendo depositado na conta única, o que na realidade dificulta inclusive até o acompanhamento do próprio secretário e da gestão da saúde. Ele tem que ter autonomia para administrar o recurso da saúde para atender o cidadão e salvar vidas. No entanto, ele depende de autorização da secretaria de Fazenda, de outras pastas para ele tocar a secretaria de saúde. O problema maior não é a falta de dinheiro e sim da má gestão que não condiz com o que a lei determina”, explicou.


Outro ponto bastante criticado pelo conselho é a falta de transparência da atual gestão em relação aos leitos de UTIs, que, segundo o conselheiro, diminuíram aproximadamente 50% desde o governo Silval Barbosa. O fato reflete diretamente na vida do cidadão que precisa de atendimento.


Em março deste ano, um bebê de três dias morreu por falta de leito em UTI neonatal no norte do estado. Em janeiro, outras quatro pessoas também morreram por conta do não cumprimento de liminares que determinavam o fornecimento de vagas em Unidades de Terapia Intensiva (UTI).


“Em 2013 nós tínhamos o levantamento de aproximadamente 470 e hoje na pratica que atende a demanda do Sistema Único, é algo em torno de 250 UTIs. Nós já perguntamos onde estão os leitos de UTI, pois eles deveriam estar à disposição da população”, disse.


A Caravana da Transformação também foi alvo de críticas do conselheiro, que chegou avaliar o programa como pior do que os implantados pelo governador Silval Barbosa e os das outras gestões.


“Esta gestão pecou muito, inclusive manteve vários vícios com origem no governo Silval. A Caravana da transformação trouxe mais engodo para o cidadão, e na minha avaliação conseguiu ser pior que a gestão passada. Se formos comparar, devido a esta Caravana da Transformação, que inclusive foi reprovada pelo próprio conselho, é uma gestão muito pior do que a gestão passada. Todos os remendos que tentaram fazer piorou a saúde, e como na educação, não podemos ter atalhos e remendos. A caravana com esta coisa de atendimento de saúde da maneira que está colocado ai é um atalho na saúde. Isso trouxe pioras”, concluiu.  


As paralisações de servidores da saúde por conta de falta de repasses também prejudicaram muito o setor nos últimos três anos. Para o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde de Mato Grosso (Sisma), Oscarlino Alves, as greves foram reflexo da má gestão.


“As paralisações são reflexo da política fiscal e da precariedade. A partir do momento que estamos aumentando o risco de pessoas que estão procurando este atendimento você acaba radicalizando, parando o serviço. Não foram tantas paralisações por que senão a coisa viraria um caos, mas tivemos paralisações pontuais que são por falta de recursos, falta de insumos e principalmente a falta de pagamento de direitos funcionais. Eu fico com a palavra do próprio secretário de saúde, que em uma entrevista disse que não houve avanço e não havendo este avanço fica comprometida a gestão do governo.”, disse.


Outro lado


O assessor especial da secretaria de Saúde, Wagner Simplício, negou a existência de apenas 250 UTIs no estado e confirmou que houve a aquisição de 200 novos leitos nos últimos três anos.


“Não sei onde o conselheiro buscou os números das UTIs, por que durante o governo atual foram ampliadas em 200 novas UTIs. Hoje temos cerca de 530 leitos de UTIs, sendo que 200 aumentaram neste governo. Não são UTIs construídas e sim contratadas”, explicou.


O assessor também declarou que a Caravana da Transformação não é mero ‘campanhismo’ e que vem melhorando a vida de muitas pessoas em todo o estado, diferente da crítica apontada pelo conselheiro.  


“O problema é que algumas pessoas querem enxergar na caravana um ‘campanhismo’ ou ação do governo. Como programa, os números são incontestáveis. Quantas pessoas voltaram a enxergar, olhe o alcance social disso. Ainda tem pessoas que não foram alcançadas, mas basicamente zeramos nossas filas de cirurgia de cataratas. O impacto é muito grande de pessoas que voltam a enxergar”, avaliou.

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