- QUINTA, 20 DE SETEMBRO DE 2018

JORNAL A GAZETA: Farmácia de Alto Custo - Falta medicamento para casos de artrite

O medicamento Etanercepte 50 mg, indicado para o tratamento de casos graves de artrite reumatoide, não está sendo fornecido há cerca de um mês pela Farmácia de Alto Custo. Quatro ampolas injetáveis, suficientes para um mês de tratamento, custam cerca de R$ 9 mil. Situação preocupa pacientes que dependem do remédio para controlar a dor e o avanço das deformações causadas pela doença. A Secretaria de Estado de Saúde (SES), responsável pela gestão dos medicamentos da farmácia, não informou quando a situação será normalizada. 


Segundo a secretaria, o Etanercepte é fornecido à Farmácia de Alto Custo pelo Ministério da Saúde, que informou estar sem estoque do medicamento para distribuir para os estados e que está em processo para aquisição do produto. Ainda de acordo com a SES, geralmente o medicamente é reposto trimestralmente, de acordo com a quantidade de pacientes e com o prazo de tratamento. A secretaria não informou quantas pessoas fazem uso do remédio em Mato Grosso. 


Dona de casa, Nazira Lopes de Lima, 68, se emociona ao lembrar das dores que sentia nas articulações antes de começar a fazer uso do Etanercepte, há cerca de um ano. Diagnosticada com artrite reumatóide, conta que quando tinha as crises, rolava no chão e não conseguia dormir, mesmo tomando outros remédios indicados pelo mé- dico. “As dores eram muito fortes, principalmente nos braços. Só melhorou depois que comecei a tomar esse remédio”, relata. 


Devido ao não fornecimento, Nazira fala que já está há três semanas sem tomar o medicamento e teme voltar a sentir as dores de antes. Atualmente, faz uso de outros remédios, como o antinflamatório Meloxicam e o corticóide Prednisona, que também complementam o tratamento. Mesmo assim, só eles, não são suficientes para controlar os sintomas da doença, que vai acompanhar a dona de casa por toda a vida. “Eu estou acostumada a tomar uma ampola (do Etanercepte) toda quarta-feira, mas a última vez que peguei o remédio foi em fevereiro e já acabou no mês passado”, recorda. 


A funcionária pública Dulcineia Silva Martins, 59, tem artrite reumatóide há seis anos e começaria o tratamento com o Etanercepte no mês de março, devido ao agravamento do quadro. Depois de montar o processo para solicitar o medicamento na Farmácia de Alto Custo, foi informada sobre a falta do produto. Ela já fez uso de vários outros remédios, que não estavam mais fazendo efeito. Por isso, o médico que a acompanha prescreveu a droga, na tentativa de reduzir o avanço dos sintomas da doença. 


Dulcineia revela que vai quase todos os dias à Farmácia de Alto custo, na esperança de alguma novidade sobre o medicamento. A funcionária pública apresenta algumas deformidades no cotovelo e nos pés e tem esperança de que quando começar a tomar o remédio o quadro estabilize e os sintomas parem de evoluir. “Estou sem força nas mãos, só essa semana já quebrei quatro copos, por não conseguir segurar”, afirma ela, que também já tem dificuldades para trabalhar.

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