- SÁBADO, 21 DE OUTUBRO DE 2017

Palavra do Presidente

Discurso no Ato de Posse, em 07 de novembro de 2014

 

Prezados colegas da Saúde,


Quero, primeiramente, em nome da nova equipe de gestão do Sisma/MT para o triênio 2014-2017 - “Unidos pela nossa carreira e por amor ao SUS” - cumprimentar a todos aqui presentes. Com carinho especial aos grandiosos e valentes profissionais da Saúde Pública do estado de Mato Grosso.


E dizer que esta iniciativa inédita em realizar o ato de posse da nova diretoria aqui tem um único propósito: o de sinalizar, a quem possa interessar, que o Sisma vai estar aqui e em todas as unidades de Saúde, bem próximo do trabalhador, cuidando, protegendo e zelando o interesse da categoria.


Quero cumprimentar a todos os parceiros do meio sindical, autoridades governamentais na pessoa do sr. Maurício Gomes dos Santos [secretário adjunto interino, na ocasião] e a todos os integrantes do Conselho Estadual de Saúde.


Bem, tudo o que fazemos em nossas vidas possui um propósito. Até o simples ato de acordar pelas manhãs e vir trabalhar na SES/MT possui um propósito.

Todos nós nos dirigimos para cá, no objetivo único de desempenhar com maestria os nossos papeis de atores públicos numa das mais fantásticas peças da vida real, e aqui me refiro a uma das mais fantásticas políticas públicas do mundo: o Sistema Único de Saúde – SUS.


E quem é a platéia que nos assiste diariamente, na grande expectativa de realizarmos brilhantes apresentações?


Sim, são eles... Quem paga o ingresso esperando assistir a um grande espetáculo proporcionado por nós são os usuários do SUS, que esperam de nós essa reciprocidade; que precisam desse retorno das nossas mentes e mãos brilhantes para que possamos lhes garantir a vida.


A grande peça em que todos nós atuamos diariamente, onde os palcos são os nossos escritórios regionais de Saúde, os hospitais, os ambulatórios especializados, os centros de reabilitação, os laboratórios, as unidades do sangue, o CIAPS, entre outras, não vem tendo uma boa aprovação da nossa platéia.

E o que significa tudo isso? É que nós não estamos desempenhando a altura os nossos papéis perante os nossos verdadeiros patrões, os usuários do SUS. E isso tem suas razões.


Gostaria de elucidar novamente o grande referencial para que tudo o que temos chegasse no ponto em que nos encontramos hoje.


Tudo nasceu da grande necessidade da população brasileira em ter uma Saúde Pública digna e efetiva para atender a classe trabalhadora. E isto foi à duras penas, com bala de borracha nas costas, desde o período da ditadura militar.


O SUS possui como marco de sua criação a 8ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 1986. Dois anos depois, o movimento que se convencionou de “movimento da reforma sanitária do Brasil” conseguiu assegurar, na constituição de 1988, os direitos universais de todos os cidadãos brasileiros à uma Saúde Pública efetiva e de qualidade.


O fruto destas reuniões - discussões, mesas de negociações entre todos os atores sociais envolvidos, Academia, profissionais da Saúde, movimentos sociais, governantes, enfim, toda sociedade civil organizada - foi norteado pelo relatório final da 8ª Conferência Nacional de Saúde - onde, neste ponto, gostaria de ler apenas um trecho, eu disse ler apenas um trecho para que façamos, em nossas mentes, neste momento, uma reflexão coletiva silenciosa; para enxergarmos que estamos num caminho equivocado.


Agora gostaria de relatar um pouco de nossa realidade, o SUS que estamos devolvendo para os nossos verdadeiros patrões.


O SUS possui 25 anos de idade, portanto um Sistema Público de Saúde jovem, que mesmo com a pouca idade passou a ser referência mundial para todas as nações deste planeta que buscam cuidar com responsabilidade e comprometimento os cidadãos que pagam os seus impostos. Muitos desses países vieram e ainda vêm nos visitar querendo aprender um pouco com a nossa experiência.


Gostaria de fazer um corte neste tempo de vida do SUS e apenas apresentar alguns sintomas de 12 anos de sua existência aqui em mato grosso: um SUS que, juntamente com o seu maior cliente, encontra-se nas macas dos corredores dos hospitais e lutando na justiça para garantir o direito a receber uma medicação ou para morrer dignamente no leito de uma UTI.


O que vimos, na verdade, foi omissão, com 12 anos sem concurso público na Saúde estadual, a entrega da gestão das unidades de Saúde para Organizações Sociais de Saúde (OSS), o trabalhador do SUS doente; aumento da fila da vergonha, desperdício de medicamentos, a judicialização da Saúde, falta de condições estruturantes de trabalho, falta de insumos básicos para funcionamento das unidades, o povo adoecendo e morrendo, entre outros fatores críticos e a corda estourando nas costas dos municípios, onde a maioria não possui, sequer, arrecadação própria.


O diagnóstico que temos é de um processo de desmonte do SUS, que converge para um processo de precarização total, ambiente propício para a terceirização e aniquilação de vez com os serviços públicos, corrente esta defendida pelos nossos políticos corruptos em Brasília.


Os senhores também são testemunhas de que tudo isso que sofremos nesse período ficou por isso mesmo, sem a devida defesa, sem resistência, sem o contraponto, sem o enfrentamento, sem conseguirmos provar para sociedade cível organizada quem são os verdadeiros responsáveis pelo caos na Saúde pública do estado de Mato Grosso.


Então quem é por nós? Quem é o sindicato e qual é a sua função básica?


Colegas o sindicato somos nós mesmos. Sua função básica é defender e trabalhar para resolver os problemas funcionais e trabalhistas de quem paga a conta, que somos nós, seus filiados.  Com credibilidade, mobilização e muita luta.


Para isso elegemos os representantes sindicais que acreditamos ter habilidades para negociar sempre, dotados do direito, razão e justiça, agindo como porta-vozes da categoria.


Escutando sempre, acatando sugestões e agindo de acordo com a vontade da maioria.


Nos casos de esgotamento das negociações de nossas reivindicações e possibilidades em avançar, sinalizar a nossa insatisfação usando do direito a greve.


O nosso sindicato (que somos nós mesmos) deveria ter liderado todo o trabalho de resistência ao desmonte do SUS estadual através da força que representa sua base com quase 6000 trabalhadores da carreira, onde tem por volta de 3.300 filiados, e tendo acento no Conselho Estadual de Saúde, ou seja, com todos os ingredientes para lutar pelo nosso bem-estar. 


Muitos se desfiliaram do Sisma por não se sentirem atendidos. Os que permaneceram filiados ainda se sentem mal atendidos e os recém-filiados foram movidos por alguma necessidade urgente, como por exemplo, ter acesso a um Plano de Saúde privado pelo enfraquecimento do MT Saúde, mover a ação da URV ou efetivar a opção da jornada de 40 horas semanais, mas pagando honorários advocatícios extras.


Hoje a Saúde Pública estadual está terceirizada, depreciada e judicializada.


E nós trabalhadores estamos no meio disso tudo, desvalorizados, desmotivados, e acusados como responsáveis pelo caos.

O movimento é fragmentado, onde a cada momento reúnem-se trabalhadores isolados para manifestar suas respectivas indignações. Desta forma, facilmente ignorados pela gestão.


O que a nossa categoria herdou com tudo isso foi:


- Constantes assédios morais, desencadeados por inúmeros colegas que ocupam cargos de confiança na estrutura organizacional da SES/MT, em função do loteamento político hoje existente.


- Um grande problema previdenciário, onde num sistema solidário, em que os trabalhadores ativos pagam contribuições previdenciárias mensais para um dia poderem se aposentar, com perspectivas críticas para o futuro em função da inexistência de concurso público. Se você não repõe os fatores humanos produtivos, ao longo do tempo tem-se o fim desta carreira. E o pior: onde as regras mudam de tempos em tempos para se resolver os déficits oriundos dos rombos nos fundos previdenciários.


- O nosso trabalhador doente, onde o percentual de absenteísmo bate a casa dos 10%.


- As instalações estão muito depreciadas, com vários ambientes insalubres e nós e os usuários lá dentro.


- Investimento zero em novas tecnologias. Pouco incentivo para a política de formação e qualificação do efetivo.


A única categoria do poder executivo a receber uma promessa de reajuste salarial parcelado em duas vezes, 7,5% para dezembro agora e 7,5% para outubro de 2015.


Se formos enumerar os problemas, passaríamos o dia todo aqui. O faremos em outra oportunidade.


Colegas trabalhadores do SUS, nós somos os maiores e principais fatores produtivos da Saúde Pública do estado de Mato Grosso e podemos, juntos, mudar essa triste realidade, mas precisamos com urgência nos unir, através de nosso Sindicato, com uma gestão moderna, transparente, participativa e focada em resultados.


Necessitamos agir com responsabilidade, propor aos novos gestores públicos, ações que visem a mudança para melhor e ajudar na reconstrução do SUS estadual.


Vamos sentar com o novo governador do estado e órgãos de controle social e defender o grande desafio que temos de inverter os atuais valores, e fazer com que os governantes nos respeitem e proporcionem a nós, trabalhadores, a SES que queremos e merecemos para que possamos fazer um SUS digno à população mato-grossense.


O desafio é grande, mas dotados de condições técnicas é que nos unimos em torno desse objetivo e estamos neste momento aqui nos comprometendo com todos os colegas em sermos os organizadores de um exército que estará prepara para as lutas e conquistas futuras. E não estaremos fazendo favor a ninguém como alguns pensam. Estaremos fazendo a nossa obrigação, que é lutarmos juntos para tirarmos nossa carreira da UTI.


Colegas, o Sisma é do trabalhador. O Sisma não é de diretor.


O Sisma é a nossa bandeira para a luta!


Nós vamos, unidos, lutar pela nossa carreira e por amor ao SUS. Nós queremos trabalhar e entregar serviços efetivos e de qualidade à sociedade mato-grossense.


O nosso muito obrigado e contem conosco. 

 

 

Oscarlino Alves - Presidente do Sisma/MT