- QUARTA, 13 DE DEZEMBRO DE 2017

RD NEWS: Com 26 mil beneficiários, MT Saúde tem R$ 38 mi em dívidas e atrasos do governo

Com uma carteira de 26 mil beneficiários espalhados por todo o Estado, o MT Saúde, criado pela Lei Complementar nº 127, de 11 de julho de 2003, acumula dívidas que somam aproximadamente R$ 38 milhões com os hospitais credenciados. O déficit, segundo o presidente da instituição desde janeiro Maurélio Ribeiro, foi construído ao longo dos últimos quatro anos e se deve também ao fato do plano ser dependente dos repasses do governo estadual, que hoje estão atrasados.

Em entrevista concedida ao , Maurélio conta que o valor do déficit não é fixo, pois depende do crivo de auditorias. “Hoje, o que a gente considera dívida? Dia 20 agora venceu mais uma competência, os outros dois meses, novembro e outubro, ainda não porque estão dentro do prazo contratual. Por exemplo, faço o atendimento, essa conta vai ser analisada, e aí tem 60 dias para honrá-la, aí passa a ser dívida. Então a dívida nossa até setembro chegamos à conclusão que era alguma coisa em torno de R$ 38 milhões, R$ 40 milhões. Mesmo esse considerado dívida, existe uma parte que está sendo auditada. Esse número deve cair”, comenta.

Nesse contexto, ele cita que o governo estadual deve R$ 12 milhões, relativos a repasses atrasados, destacando que se não fosse por isso, o montante total da dívida seria bem menor, em torno de R$ 28 milhões. “Quer dizer que essa dívida nossa em relação a quando a gente assumiu diminuiu significativamente”, pontua. O atraso, segundo o presidente, ocorre desde maio. “O Estado nos repassa, por lei, R$ 4 milhões por mês e isso não tem sido cumprido à risca”, acrescenta.

O MT Saúde é um plano voltado a servidores estaduais. Em Cuiabá, são três hospitais credenciados, um em Várzea Grande, um em Sorriso e outro em Alta Floresta. Esses dois últimos não são de grande porte, têm certa limitação técnica.

Mário Okamura

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Receita deficitária

A receita do plano é formada pela parte paga pelos beneficiários, que gira em torno de R$ 5,5 milhões por mês, e o repasse do Estado, que resulta em um montante de R$ 9,6 milhões aproximadamente. “E o nosso custo hoje está em média R$ 9 milhões dependendo da época do ano, se tem mais cirurgias, internação, doentes mais caros, etc. Quando assumimos, esse custo era de R$ 11 milhões”, ressalta o presidente.

Maurélio comenta que a secretaria estadual de Fazenda (Sefaz) já se posicionou publicamente dizendo que o governo está contando dinheiro para ser dividido dentro de uma prioridade definida pela própria pasta. Lembra que as dificuldades não acontecem apenas no MT Saúde. “Chama atenção porque existe a parte da contribuição do beneficiário, mas a secretaria de Saúde do Estado está com dificuldades também. Os hospitais do interior estão com dificuldade. As prestadoras de serviço no interior, tem cidade que não recebe desde maio. Se for comparar, está melhor”, admite.

Os valores do plano são cobrados de acordo com a faixa etária de cada beneficiário. Os menores valores são da faixa etária de 0 a 18 anos, que custam R$ 73,06 o tipo padrão e R$ 90,94 o tipo especial. Já a maior tarifa é cobrada da faixa etária de 59 anos ou mais, sendo R$ 352,21 o padrão e R$ 438,40 o especial.


Apelo

O presidente do MT Saúde lamenta a falta de segurança aos beneficiários diante do cenário de crise e destaca que está lutando para salvar o MT Saúde. “Como é que eu falo para uma senhora de 70 anos de idade que o plano dela não existe mais? Nenhum plano vai aceitá-la. Com essa idade ela vai chegar na Unimed e vai pagar R$ 2 mil. Se for levar em conta que a maioria dos nossos beneficiários ganha R$ 1,8 mil, como é que ele vai pagar?”, questiona.

Neste sentido, explica que por mais economia que faça, isso não pode interferir na qualidade do atendimento ao beneficiário. “Eu tenho um limite. A partir daí, esse dinheiro é do custeio, não é para pagar dívida antiga. A dívida antiga depende de uma decisão do governo”, pondera.

Grupo Santa Rosa

Em 17 de outubro, o Grupo Santa Rosa anunciou o fim dos atendimentos pelo plano MT Saúde de maneira definitiva. A justificativa foi a “reiterada inadimplência” do programa. O cancelamento retirou do plano os hospitais Santa Rosa, Santa Rosa Onco, Santa Rosa Lab, Santa Rosa Cor e Santa Rosa Imagem. “Eles eram o maior prestador de serviço nosso. Historicamente o Hospital Santa Rosa sempre foi parceiro do MT Saúde. Até mesmo em razão disso gerou maior dependência financeira, o maior déficit financeiro nosso é em relação ao hospital Santa Rosa”, revela o presidente.

Apesar disso, Maurério garante que a saída do Grupo não causou nenhum problema de especialidades médicas, que a rede toda funciona. “A nossa dificuldade maior é que a parte do beneficiário não entra na conta do MT Saúde, entra na Conta Única do Estado, e é repassado de acordo com o fluxo em caixa que eles têm lá. Então isso atrasa”.

Desafio

Para Maurélio, administrar o MT é desafiador e é um trabalho que lhe cobra muita responsabilidade. “Essa história de falir, isso aqui não é só falir, não é só fechar as portas e ir embora. Como é que nós falamos para 26 mil pessoas que acreditam que têm segurança? Como é que nós falamos os 20 e poucos internados aqui no Jardim Cuiabá que não sabem nem quanto está custando o seu tratamento? De repente ficar sem ter nada”, analisa.

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